Por Beatrice Gonçalves
Foi vendo o pai trabalhar em casa que William e o irmão Bruno Ribeiro aprenderam os primeiros conceitos de eletrônica. Na época, José Carlos Ribeiro, técnico em eletrônica e administrador, se preparava para abrir a empresa Enterplak, prestadora de serviços de montagem de placas, produtos eletrônicos e protótipos. Além da influência do pai, os meninos cresceram ouvindo falar em empreendedorismo e inovação no colégio e em todos os lugares da cidade onde vivem. Moradores de Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais, região conhecida como Vale da Eletrônica, os irmãos aprenderam cedo a importância de empreender. Aos 18 anos, William já sabia qual carreira queria seguir e o irmão Bruno, de 17, também. Os dois estudaram na Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa e em 2000 abriram a própria empresa, a RW Tecnologia, especializada em sistemas de segurança, linhas de ponto e acesso para aplicações residenciais, comerciais e industriais.
A ideia foi investir em serviços que pudessem complementar o trabalho do pai. Como a Enterplak só oferecia serviços de montagem e testes de equipamentos, William investiu na produção e criação de produtos. Através de uma pesquisa de mercado percebeu que havia poucas soluções em relógios de ponto eletrônico e controladores de acesso e resolveu investir nessa área. “Na época não existiam soluções completas no mercado nacional envolvendo hardware e software de controle de ponto e acesso de baixo custo”, explica.
No começo o trabalho não foi fácil. Eles não tinham dinheiro em caixa, não recebiam salários e nem tinham plano estratégico para a empresa. Precisaram do apoio do pai e de muita paciência. “Aprendi muita coisa com a prática, com erros e acertos no dia a dia da RW.” Como não dependiam do dinheiro investido na empresa a curto prazo, eles se esforçavam para gastar pouco. “Para nós foi importante abrir a empresa cedo, porque ainda não tínhamos obrigações muito complexas. Quando se é jovem, a chance de você se recuperar é bem maior”, comenta. No dia a dia dos negócios, a referência foi o pai e o modelo de gestão de empresa foi a Enterplak.
William explica que o primeiro produto da RW custava o dobro do preço do que é vendido atualmente e não possuía tantas funcionalidades. “Obviamente este produto não seria viável hoje, pois a concorrência é muito mais acirrada e nos obriga a ser mais competitivos.” Mas na época a solução apresentada pela RW Tecnologia era uma das únicas no mercado brasileiro.
Para conquistar os primeiros clientes, a estratégia dos irmãos foi fazer demonstrações dos produtos da RW nas empresas. “O cliente tinha 30 dias de teste. Essa foi a forma que encontramos para entrar no mercado, até porque éramos muito jovens.” William conta que muitas empresas colocavam o relógio de ponto na parede e quando viam que poderiam economizar, compravam o equipamento.
Evolução
Em nove anos de trabalho, muita coisa mudou na RW Tecnologia. Durante esse tempo William cursou faculdade de Engenharia da Computação e Bruno fez Administração para poder cuidar do gerenciamento do negócio. A RW comercializa hoje seus produtos em mais de 80 revendas e atinge cerca de 5 mil clientes. “A comercialização dos produtos através de revendas é estratégica para a empresa, porque garante a instalação imediata dos produtos e treinamento in loco dos clientes”, afirma.
No portfólio da RW estão fechaduras eletromagnéticas para uso em portões, fechos para automatização de portas, sensores infravermelhos, linhas de acesso e de ponto. Um dos produtos mais vendidos é a catraca Cygnus. O equipamento não utiliza cartões magnéticos nem códigos de barras, só identificadores únicos impossíveis de serem copiados que permitem apenas a entrada de funcionários devidamente identificados. O aparelho conta com o software de gerenciamento ILC Explorer que controla em tempo real todos os eventos do sistema, enviando ou não a autorização do acesso para cada controlador. Outra novidade desenvolvida pela RW Tecnologia é o PointLine PEN, relógio de ponto que pode ser instalado em locais remotos porque não precisa de cabos de comunicação. O produto tem um cartucho USB removível onde os pontos são armazenados e depois podem ser descarregados em um computador.
A empresa tem 20 funcionários que trabalham no desenvolvimento dos produtos e a fabricação dos equipamentos é terceirizada. Isso para que a RW foque seus esforços em atividades de engenharia, vendas e acompanhamento de seus clientes. À medida que os projetos de produtos da RW ficam prontos, são enviados à Enterplak, onde são montados. Em todo esse processo, 20 funcionários da RW e 100 da Enterplak são envolvidos no trabalho de criação e de montagem dos produtos.
O faturamento da empresa em 2009 deve ser de R$ 2,5 milhões e William está otimista: espera dobrar esse valor a cada ano. Para colocar os planos em prática, a RW Tecnologia tem hoje o apoio da Fundação Dom Cabral, que dá consultoria aos sócios no gerenciamento do negócio. “Cremos que a RW Tecnologia possui plenas condições para crescer ainda mais, firmando-se como um dos maiores fornecedores de soluções de ponto e acesso para o mercado nacional.” Para crescer ainda mais, os sócios investem no desenvolvimento de novas soluções para o setor. No momento, os engenheiros da RW trabalham no estudo de dois projetos que foram premiados a fundo perdido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) – um de controle de acesso para hotéis e outro para locais de alta segurança.
A história de William e Bruno é parecida com a de muitos moradores de Santa Rita do Sapucaí. A região conhecida como Vale da Eletrônica é um dos principais polos de desenvolvimento do País. A Escola Técnica Francisco Moreira da Costa, onde os garotos estudaram, foi fundada em 1958 e é a primeira a oferecer ensino de eletrônica em nível médio na América Latina.
No município de 30 mil habitantes existem mais de 140 empresas de inovação de pequeno e médio portes que faturam cerca de R$ 1 bilhão nos ramos de eletrônica e de telecomunicações. Santa Rita do Sapucaí tem ainda localização privilegiada: fica a 220 quilômetros de São Paulo, 400 quilômetros do Rio de Janeiro e 430 quilômetros de Belo Horizonte. William conta que a cidade “respira” eletrônica. “Aqui tem uma piada que diz que uma faxineira foi limpar um quarto e falou para o dono da casa que ele tinha deixado cair o diodo, um componente eletrônico. Esse é um exemplo que os moradores daqui usam, só para mostrar que até as faxineiras de Santa Rita do Sapucaí também entendem de eletrônica.”
Contato:
William Ribeiro - www.rwtech.com.br
Fonte: Empreendedor
Link: http://www.empreendedor.com.br/reportagens/inspira%C3%A7%C3%A3o-caseira
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