Por Maurício de Almeida Prado*
Em uma entrevista publicada recentemente na Advertising Age, Bob Mcdonald, o novo CEO mundial da Procter & Gamble, declarou que o que lhe tira o sono é a parábola do sapo na panela.
Para quem não conhece, diz a lenda que, se tentarmos colocar um sapo em uma panela com água fervente, ele pulará para fora e não morrerá.
No entanto, se colocarmos o sapo em uma panela com água fria e, posteriormente, começarmos a aquecer a água, o sapo não notará o aumento de temperatura e acabará morrendo.
A metáfora é bastante usada no mundo corporativo para mostrar que o que "mata" as empresas não são as mudanças bruscas na economia ou no cenário competitivo, mas sim as mudanças lentas, ou seja, aquelas não percebidas pelos lideres e que, pouco a pouco, acabam com a competitividade das companhias, levando muitas delas à extinção.
Na entrevista, McDonald lembrou que, das 50 maiores empresas dos EUA listadas na Fortune em 1955, apenas 9 ainda permanecem no ranking - e a Procter & Gamble é uma das gloriosas sobreviventes.
A história me fez lembrar do período de glória das locadoras de vídeo em São Paulo. O negócio parecia muito promissor e vários empreendedores ingressaram neste segmento.
Eu, por exemplo, frequentava uma locadora no bairro e admirava o sucesso e os possíveis lucros de seu feliz proprietário. Foi quando uma empresa mais audaciosa, a Hobby Video, começou a dominar a capital paulista e, em pouco tempo, acabou com aquela pequena loja de bairro. Mas, quando se pensava que tudo corria seu fluxo normal, desembarcou na cidade a gigante multinacional Blockbuster.
Em pouco tempo, a empresa acabou com a empresa que, até aquele momento, parecia ser a mais sólida e imbatível do setor. Com uma multinacional na liderança, imaginamos que nada acabaria com gigantesco império e nunca mais teríamos que fazer uma carteirinha em qualquer outra locadora. Ledo engano!
Vieram então as novas tecnologias que permitem fazer downloads pela internet e, juntamente com as TVs digitais, reduziram a Blockbuster a uma singela prateleira no fundo das Lojas Americanas.
Este exemplo reforça a frase de Karl Marx que "Tudo que é sólido desmancha no ar"- também titulo do livro do filósofo Marshall Berman, que busca explicar o modernismo e seu processo de destruição criativa. E, olha que naquela época ainda não havia internet!
Se o ritmo das mudanças nos negócios é cada vez mais rápido, na era da informação, ele é alucinante. O Facebook já roubou muitos usuários do Orkut. Outro exemplo? Como ficará o Apontador, que é um guia de mapas, com a disseminação do Google Maps?
Hoje, muitos acreditam ser impensável que outra empresa seja capaz de ultrapassar o Google. No entanto, assim como em todos os outros segmentos, o futuro dependerá da capacidade dos líderes de identificar e perceber as mudanças lentas que, pouco a pouco, podem acabar com a competitividade das companhias.
Se continuarem acreditando no imutável e na estabilidade, certamente a água voltará a ferver.
*Mauricio de Almeida Prado é sócio-diretor da agência de promoções e eventos Plano1.
Fonte: Brasil Econômico
Link: http://www.brasileconomico.com.br/noticias/a-agua-pode-ferver_76446.html
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